
Após criminalidade bater recorde, novo chefe do Deinter-1 coloca todos os 1.400 policiais civis do Vale, inclusive delegados, em curso obrigatório de boas maneiras para melhorar o atendimento à populaçãoPoliciais civis da região começaram ontem curso de reciclagem e boas maneiras para tentar melhorar o atendimento à população.A iniciativa é do diretor do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), João Barbosa Filho, que assumiu o cargo há dois meses com a missão de baixar os índices de violência. Todos os 1.400 policiais civis do Vale vão passar pelo treinamento, que começou ontem com um grupo de 20 delegados plantonistas.A meta é trazer de volta a confiança da população na polícia e, assim, incentivar denúncias e o registro de boletins de ocorrência.A região fechou o primeiro trimestre como a mais violenta do interior do Estado, com 114 assassinatos.Segundo o Sindicato dos Delegados de São Paulo, 70% dos crimes contra o patrimônio, por exemplo, não são registrados, pois o cidadão evita o estresse da delegacia (leia texto nesta página). Treinamento. O curso tem carga horária de oito horas. No período, os participantes passam por palestras e oficinas sobre exemplos de bom atendimento e a importância de uma boa aparência.“Os policiais também terão que prezar pela aparência. Não quero policial barbudo e com roupas desleixadas. A pessoa tem que sentir confiança no policial que irá atende-la”, disse o diretor.A prioridade, nas primeiras turmas, será para os funcionários que atuam nos plantões de delegacias, devido à concentração das ocorrências.“Onde há muito trabalho, o policial fica sobrecarregado, atende telefone, escreve boletim de ocorrência, ouve a população. Às vezes, eles desconta no público”, disse o diretor.Simulações. Segundo Fábio Germano Figueiredo Cabett, coordenador do núcleo de ensino policial de São José, um dos exemplos citados foi do momento em que a pessoa chega à delegacia para relatar o roubo de um veículo.“Tem policial que pergunta se tem seguro e se tem informação sobre o roubo. Se não tem, trata a pessoa mal. Não tem que ser assim. Tem que ser receptivo. É dever da polícia ouvir o problema da população e tentar sanar. Se vai prender o ladrão, é outra história, mas tem que ouvir tudo que a pessoa veio relatar”, disse.Para os delegados, o curso de boas maneiras é uma forma de ser valorizado e ter mais motivação no trabalho.“Quando há treinamento, o policial fica mais capacitado e se sente melhor para trabalhar”, disse Régis Wanderley Germano, plantonista no 3º Distrito Policial de São José.Efetivo. A Comissão de Segurança Pública da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) acredita que o problema do atendimento só será resolvido quando o efetivo for ampliado. “Tem pouco escrivão e pouco investigador. Há excesso de trabalho e pouca gente. Cursos são motivadores, mas é necessário que o Estado abra concursos, principalmente aqui na região”, disse Alexandre de Oliveira Campos.Reforma. Outra medida adotada pelo diretor foi a elaboração de um dossiê com as condições das delegacias da região. Os prédios em piores condições serão reformados. ENTENDA O CASOReciclagemBoas maneirasO curso implantado por João Barbosa Filho, diretor do Deinter-1 há dois meses, visa melhorar o atendimento de policiais civis ao público AbordagemBoa aparênciaAlém de um melhor atendimento à população, os policiais terão que se preocupar com a aparência para passar uma boa impressão TurmasVárias classesOntem, 20 delegados plantonistas passaram pelo treinamento. A ideia é que sejam montadas várias classes até que os 1.400 policiais civis da região passem pelo treinamento, que é obrigatório. O curso dura um dia inteiro e tem carga horária de oito horas Registro de ocorrência é essencial à investigaçãoSão José dos Campos Cerca de 70% dos crimes contra o patrimônio, como roubo e furto de veículos, não são registrados em delegacia, segundo o Sindicato dos Delegados de São Paulo.De acordo com George Melão, presidente da entidade, o número é elevado, pois muita gente prefere não ir à delegacia como uma forma de evitar mais aborrecimento.“A pessoa vai até uma delegacia e vê uma fila enorme, os policiais registrando um flagrante. Dependendo do caso, ela prefere voltar para casa”, afirmou o delegado.Opcional. Para Melão, o bom atendimento é peça-chave da Polícia Civil para obter informações e esclarecer crimes.O presidente elogiou a iniciativa do curso, mas acredita que o resultado seria melhor se o treinamento fosse opcional e não obrigatório.“A ideia do obrigatório pode gerar um desconforto nos policiais. Sendo opcional, o curso poderia garantir vantagens na carreira de promoção, por exemplo. Isso daria mais motivação aos policiais.” Comissão avalia mudanças na políciaSão José dos CamposAs condições de trabalho da Polícia Civil no Estado serão avaliadas por comissão criada na última semana na Assembleia Legislativa.O grupo de trabalho, que possui 11 pessoas (cinco deputados estaduais e seis integrantes de diferentes pastas do governo), terá a missão de definir estratégias para a reestruturação da polícia a partir das carreiras de investigadores e escrivães. Não há prazo para o estudo ser concluído.“O que vamos estudar é uma forma de valorizar essas carreiras e ampliar o efetivo policial para aumentar índice de esclarecimento de crimes e reduzir a violência”, disse o deputado Marco Aurélio (PT), que é de Jacareí e integra a comissão.Opinião. Para o presidente do Sindicato dos Investigadores da região, Jeferson Cabral, a comissão terá um difícil trabalho. “De cara, vão constatar que existe menos da metade dos investigadores necessários e que hoje mais policiais se aposentam do que ingressam na carreira”, disse.Segundo Cabral, a Polícia Civil precisaria de cerca de 3.000 policiais civis na região, mais que o dobro dos 1.400 policiais atuais.“É por isso que o serviço fica capenga. Quando o Estado abre concurso, tem poucas vagas. No ano passado, aposentaram-se 200 policiais civis e o concurso realizado contratou apenas 30”, afirmou.
Fonte: O Vale
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